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Festa Punk – Parte I: A Revolução Fabricada

12 abril, 2010

O punk, aclamado como o último grande movimento jovem de contracultura,está morto. Novembro de 1975 é considerado o marco zero do irmão rebelde do rock. A data remete ao primeiro show dos Sex Pistols, realizado na St. Martins Art School, em Londres.

Ainda que bandas norte-americanas como Television, Stooges e Ramones já estivessem fazendo o punk rock – como gênero musical – acontecer antes do movimento tomar de assalto a Grã-Bretanha, foi com os Pistols e o The Clash que o “ do it yourself ”, lema máximo do punk, ganhou corpo e se alastrou pelo mundo, angariando adeptos em diversas expressões da arte, como literatura, cinema e moda.

Considerado a maior farsa do rock’ n’ roll, o Sex Pistols foi idealizado pela dupla Vivienne Westwood, uma estilista maluquete dona de uma loja de roupas com tendências fetichistas no centro de Londres, e Malcolm McLaren, um empresário canastrão cheio de “boas intenções”. Para divulgar a loja da esposa, McLaren, que tinha tido uma experiência como agenciador da banda New York Dolls, resolveu cooptar alguns jovens desocupados que viviam perambulando próximo ao estabelecimento de Westwood para a sua mais engenhosa criação: uma banda de rock. Assim nascia o Sex Pistols, um grupo de músicos que não eram músicos, apenas vagabundos que queriam subverter a ordem dominante da Inglaterra de Thatcher. Com tal espírito e totalmente desprovidos de habilidades musicais, o grupo criou um tipo de som rudimentar e cru que remetia, de imediato, às bandas garageiras dos anos 60.

Vivienne Westwood e Malcolm McLaren (ao centro)

Opondo-se totalmente ao virtuosismo que dominava o rock na década de 70 – o vocalista dos Pistols andava com uma camiseta onde se lia “eu odeio o Pink Floyd” –, os pupilos de McLaren – Johnny “Rotten” Lydon (vocalista), Steve Jones (Guitarrista), Paul Cook (Baterista) e Glen Matlock (baixista), mais tarde Sid Vicious – formavam a verdadeira legião da má vontade. Esqueça o make love not war e o flower power . Os punks, em geral filhos de operários vindos dos subúrbios ingleses e sem voz ativa na sociedade, queriam mesmo é bagunçar o coreto, fazer sua própria arte e não mais esperar pelos benefícios que o capitalismo nunca lhes trouxe. Desencantados com o mundo, os Pistols e seu público surgiam como contraponto ao bom-mocismo dos hippies.

’cause I wanna be anarchy in the city (Anarchy In The U.K.)

O som era mais do que básico. Três acordes, tocados em velocidade máxima acompanhando letras que falavam em no future e anticristo. Tudo isso adornado por um visual radical, que incluía alfinetes, calças jeans apertadas, camisetas surradas, tênis rasgados, jaquetas de couro e cabelos coloridos. Um verdadeiro escândalo para a sociedade de então. O choque dos conservadores ante o aspecto bizarro daqueles jovens garantiu a visibilidade do movimento nascente. Portanto a moda punk, creditada em muito a Vivienne Westwood, foi um importante instrumento para a divulgação da niilista e anárquica ideologia que surgia – ainda que tal ideologia não fosse tão clara e consistente em seus argumentos e reivindicações.

O visual agressivo era o diferencial entre os conformados e os rebeldes, àqueles que não se dobravam e ao mesmo tempo desdenhavam a industria da moda e do consumo fácil. Dessa maneira, o binômio música tosca e indumentária rebelde deu o tom do punk; e os dois nunca mais se separaram.

O fato do primeiro disco dos Sex Pistols, Never mind the bollocks – Here’s the Sex Pistols , ter sido lançado quando a banda já estava praticamente desfeita, reforça a idéia de que o punk, como fenômeno sociocultural de resistência, sempre teve mais relevância do que a cena musical que se formou em sua volta. Ou seja, é bem provável que mesmo sem os Pistols e o Clash, o punk nasceria e se espalharia pelo mundo. Isso não quer dizer que a música não foi importante. A principio é impossível dissociar o gênero musical do movimento social. Prova disso são os petardos “God save the queen”, “Anarchy in the U.K.”, “Problems” e “EMI”, faixas do clássico disco de estréia da banda que ainda ecoam nos aparelhos de som do mundo inteiro.

Porém o que prevalece é a aura e o espírito contestador dos primeiros anos do punk. Em uma análise sociológica do que representou a mobilização dos jovens ingleses, pode-se dizer que a atitude defendida pelo “faça você mesmo” foi mais importante do que os fabulosos acordes mal tocados dos Pistols. O engajamento político de tendências socialistas, mais tarde intensificado com a militância do The Clash, também ajudou a moldar o punk. Conforme o chavão mais repetido entre seus adeptos, o “punk é um estilo de vida” e não apenas um tipo de música rebelde e intransigente.

O contrato


REBINSKI, Luiz Junior. O COMEÇO DO FIM DO MUNDO
Disponível em: http://www.rabisco.com.br
imagens: reprodução 
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2 Comentários leave one →
  1. osvaldo permalink
    3 agosto, 2010 10:25 pm

    Olá Erica, gostaria de receber uma foto minha que vc tirou no festival punk “o fim do mundo” em 2002 , pois, não consigo mais achar no seu site. Na foto estou de camiseta branca sentado e segurando nas grades de uma janela do antigo frigorifico (Tendal da Lapa), que foi o local do evento. Por favor, se ainda tiver essa foto envie-me. grato ass. Osvaldo o PuNk!!!

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  1. God save the king! - C&A

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